18/09/09

Lisboa


“ Vivo em Lisboa como se vivesse no fim do mundo, ou num lugar que reunisse vestígios de toda a Europa. A cada esquina encontro reminiscências doutras cidades, doutros encontros,doutras viagens.
Aqui, ainda é possível inventar uma história e vivê-la. Ou ficar assim, parado, a olhar o rio e fingir que o Tempo e a Europa não existem - e Lisboa, se calhar, também não.”
Al Berto

17/05/09

Imprevistos

"Mais que um pecado
a serpente
nos ensina a simplicidade
fria
de ser apenas
o que se é
Por isso se arrasta na relva,
por isso se enrosca num tronco
e devora em silêncio."

"Uma mancha negra
no muro
o lagarto
é mais
que
coisa.
(Congelado no instante
digere
a sua própria eternidade:
calcula
o seu ouro
em silêncio.)
Aguarda
para lançar-se
ao que lhe convém."

Poemas da autoria de Renato Suttana

10/05/09

Fragmentos de Luz


É daqui que me recolho ao silêncio

Há magnitude de todos os pensamentos

Aos anseios de nobres gestos

Às palavras que me alimentam

Ao fulgor do universo

Num foco de chama

Numa transparência de luz

15/03/09

Pop



"Sou artista suficientemente para desenhar livremente com minha imaginação. A imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado, a imaginação rodeia o mundo"

Albert Einstein

01/03/09



mágica

É uma estrada no céu silenciosa
um anão sem ninguém que o suspeite
é um braço pregado a uma rosa
um mamilo escorrendo leite

São edénicos anjos expulsos
sonhando quietude e distância
são homens marcados nos pulsos
é uma secreta elegância

São velhos demónios ociosos
fitando o céu bailando ao vento
são gritos rápidos, nervosos
que destroem todo o pensamento

É o frio deserto marinho
operando na escuridão
é o corpo que geme sòzinho
é a veia que é coração

São aranhas jovens, pernaltas
arrastando embrulhos para o mar
são altas colunas tão altas
que o chão ameaça estalar

São espadas voantes são vielas
passeios de todos e nenhuns
são grandes rectas paralelas
são grandes silêncios comuns

É uma edição reduzida
das aras da história sagrada
é a técnica mais proibida
da mágica mais procurada

É uma estrada no céu silenciosa
por um domingo extenso e plácido
é um anoitecer côr de rosa
um ar inocente, ácido

(Mário Cesariny)